A sustentabilidade está cada vez mais no centro das decisões das empresas. É o que mostra o Relatório de Tendências de Sustentabilidade 2026, do Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC). Segundo o estudo, o número de empresas que tratam o tema como um pilar inegociável da estratégia quase triplicou: passou de 9% em 2022 para 24% em 2025. A projeção é que chegue a 58% até 2028.
Apesar do avanço, a prática ainda anda mais devagar que o discurso. Só 25% das empresas dizem ter a sustentabilidade totalmente integrada às decisões e ao modelo de negócios, índice puxado pelas grandes empresas. Já 27% colocam auditorias e certificações independentes entre as prioridades de investimento, e 56% dos executivos afirmam que há consenso interno sobre ESG, carbono e clima.
“A sustentabilidade vem ganhando espaço nas estratégias corporativas, mas o grande desafio agora é garantir que os compromissos assumidos sejam efetivamente traduzidos em resultados. A certificação e a auditoria independente contribuem justamente para esse avanço, ao oferecer uma avaliação objetiva e confiável das práticas adotadas pelas empresas. Mais do que demonstrar conformidade, esses processos ajudam as organizações a identificar lacunas, aprimorar sua gestão e dar credibilidade às informações que apresentam ao mercado”, explica Andressa Lisboa, vice-presidente de Certificação das Américas do Bureau Veritas.
Regras mais rígidas pressionam as empresas
A regulação é um dos principais motores da agenda: mais de 75% dos entrevistados a citam. Quando perguntados sobre o principal motivo para investir em sustentabilidade, a conformidade regulatória e a pressão de públicos externos, como investidores e clientes, empatam no topo, com 22% cada.Em seguida vêm:
- competitividade e posicionamento no mercado (18%);
- redução de riscos operacionais (11%);
- demandas internas (8%);
- exigências do comércio internacional (6%);
- desempenho financeiro (6%);
- desempenho operacional (5%).
Grandes empresas estão mais preparadas
O porte da empresa faz diferença. Entre as grandes, 46% afirmam que a sustentabilidade já faz parte da governança e das decisões do dia a dia. Entre as pequenas, o índice é de apenas 12%. O mesmo acontece com o planejamento: só 5% das grandes companhias não têm um plano de ação para o tema, contra 28% das pequenas, que atuam sem nenhuma diretriz formal.
O que dificulta
Entre os principais obstáculos para colocar a agenda ESG em prática, os executivos citam:
- falta de orçamento e incertezas regulatórias (18%);
- dificuldade técnica para medir dados (16%);
- falta de especialistas dentro da empresa (15%);
- pouca adesão dos fornecedores (14%).
Prioridades da liderança
O estudo mostra que a alta liderança já está alinhada, principalmente em temas como mudanças climáticas e gestão de carbono. A redução de emissões (descarbonização) é a prioridade central para 27% dos líderes, seguida pelo acompanhamento do desempenho e da rastreabilidade na cadeia de fornecedores (20%) e pela elaboração de relatórios ESG (17%).
O levantamento ouviu mais de 600 líderes de todos os continentes e de diferentes setores.
Acesse o estudo completo: https://cdn1-latam.bureauveritas.com/sites/g/files/zypfnx796/files/media/document/BV_Sustainability%20Trends%20Report_2026.pdf