Celulares antigos, computadores que deixaram de funcionar, eletrodomésticos sem conserto ou outros equipamentos eletrônicos parados em casa não devem ser colocados no lixo comum. Em Manaus, uma nova rede de pontos de entrega voluntária (PEVs) começa a ser implantada para facilitar o descarte correto desses materiais.
A proposta é chegar gradualmente a 62 pontos de coleta distribuídos pelas diferentes zonas da cidade. Nesses locais, a população poderá entregar equipamentos eletroeletrônicos que não têm mais utilidade, evitando que esse tipo de resíduo seja levado ao aterro sanitário ou descartado de forma irregular em ruas, terrenos e igarapés.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) e a Circular Brain, empresa que atua na gestão de resíduos e logística reversa.
A orientação é não colocar esses materiais junto ao lixo doméstico. Além de possuírem componentes que podem ser reaproveitados, alguns equipamentos contêm substâncias que exigem manejo adequado.
Onde já é possível entregar?
Neste primeiro momento, a estrutura existente conta com recebimento de resíduos eletroeletrônicos nos ecopontos das zonas Norte e Sul e na sede da Semulsp.
A expansão começou a ser estruturada a partir de uma ação realizada em fevereiro, durante o Dia do Detox de Eletrônicos — Manaus + Circulare, no Ecoponto da zona Sul, no bairro Educandos.
Antes de descartar
Uma dica importante é verificar se o equipamento ainda pode ser consertado, reutilizado ou doado. A reciclagem deve ser uma alternativa quando o produto realmente chegou ao fim de sua vida útil.
No caso de celulares, computadores e outros dispositivos que armazenam informações, também é importante apagar dados pessoais, fotos, arquivos e senhas antes da entrega.
E o que acontece depois?
O descarte em um PEV é apenas o início do processo.
Depois de recebidos, os equipamentos entram em uma cadeia de logística reversa e são encaminhados para recicladores autorizados. Os materiais passam por triagem, desmontagem e separação.
Um único equipamento pode conter diferentes tipos de materiais, como metais, plásticos e outros componentes, que podem ser recuperados e utilizados novamente como matéria-prima.
Na prática, isso significa que um aparelho que deixou de ter utilidade para o consumidor pode voltar ao ciclo produtivo em vez de terminar no aterro.
Reciclagem também gera trabalho e renda
A cadeia de reciclagem envolve ainda trabalhadores e cooperativas responsáveis pela triagem e pelo aproveitamento dos materiais.
A separação adequada dos resíduos aumenta o potencial de recuperação dos componentes e pode agregar valor ao material comercializado pelas cooperativas, contribuindo para a geração de renda.
Por que isso importa para Manaus?
O descarte de eletrônicos é um dos desafios da gestão de resíduos nas cidades. Ao mesmo tempo em que o consumo de equipamentos aumenta, cresce também a quantidade de aparelhos que chegam ao fim de sua vida útil.
Para o secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, a iniciativa também aproxima a política ambiental de Manaus de uma das principais características econômicas da cidade, a presença de uma forte indústria eletroeletrônica no Polo Industrial.
“Manaus tem uma característica industrial muito forte, especialmente no setor eletroeletrônico. Não fazia mais sentido esse tipo de resíduo continuar indo para o aterro ou para o descarte irregular”, afirma.
Mas a eficiência desse sistema depende também de uma atitude simples do consumidor: não jogar eletrônico no lixo comum e procurar um ponto adequado para fazer o descarte.
Serviço
O que: descarte de resíduos eletroeletrônicos
Como: entregar os equipamentos em pontos de coleta destinados a esse tipo de material
Rede prevista: 62 pontos de entrega voluntária (PEVs)
Pontos que já recebem: ecopontos das zonas Norte e Sul e sede da Semulsp
Destinação: triagem, reciclagem e retorno de materiais à cadeia produtiva
