Para entender o que é ESG, vale observar algumas situações da rotina de uma empresa: para onde vão os resíduos produzidos? Como os funcionários são tratados? Quem acompanha as decisões e os gastos do negócio? Essas perguntas ajudam a traduzir uma sigla que pode parecer distante, mas está relacionada à maneira como uma organização funciona e se relaciona com o mundo.
ESG reúne as iniciais de três palavras em inglês: Environmental, Social and Governance. Em português, correspondem a ambiental, social e governança — daí o uso também da sigla ASG. Segundo o Pacto Global — Rede Brasil, essas dimensões envolvem as práticas de uma organização e a compreensão dos impactos positivos e negativos de suas atividades. (pactoglobal.org.br)
Na prática, olhar para esses três aspectos ajuda a identificar problemas e oportunidades de melhoria. Os exemplos a seguir ilustram como cada dimensão pode aparecer no cotidiano empresarial.
Ambiental: como a empresa se relaciona com o meio ambiente
O componente ambiental envolve questões como uso de água e energia, geração de resíduos e impactos da atividade sobre a natureza.
Em um restaurante, esse olhar pode começar pelo desperdício de alimentos. Em uma loja, pelo volume de embalagens descartadas. Em uma oficina, pelo armazenamento e pela destinação dos resíduos gerados nos serviços.
Uma pergunta útil é: quais recursos o negócio consome e o que acontece com os materiais depois do uso? A resposta ajuda a identificar onde investigar desperdícios e quais procedimentos precisam ser revistos.
Social: como a empresa trata as pessoas
A dimensão social abrange as relações com trabalhadores, clientes, fornecedores e comunidades. Na ferramenta de diagnóstico ESG do Sebrae, aparecem temas como desenvolvimento profissional, saúde e segurança no trabalho, direitos humanos e relacionamento com a comunidade. (diagnostico.sebrae.com.br)
Para visualizar essa dimensão, pense em uma empresa que verifica as condições de segurança da equipe, ouve dificuldades dos funcionários e orienta seus gestores sobre tratamento respeitoso. Também entram nessa reflexão as barreiras que uma pessoa com deficiência pode encontrar ao tentar utilizar um serviço, a chegar a uma empresa ou órgão público e não encontrar elevador ou rampa de acesso.
O olhar social exige examinar as relações que sustentam a própria operação, além das iniciativas realizadas fora da empresa.
Governança: como as decisões são tomadas e acompanhadas
Governança diz respeito à direção e ao acompanhamento da organização. Para quem está começando, uma forma de compreender o conceito é observar quem decide, quais critérios utiliza e como presta contas dessas decisões.
Em uma pequena empresa, exemplos didáticos incluem definir quem pode autorizar compras, registrar decisões relevantes e estabelecer critérios para contratar fornecedores. Essas medidas ajudam a tornar responsabilidades e procedimentos compreensíveis para a equipe.
A especialista em ESG e Sustentabilidade Corporativa pela Fundação Getúlio Vargas, Elendrea Cavalcante, criou e disponibilizou em seu perfil no instagram (@elendreacavalcante) um diagnóstico rápido, de 15 perguntas, para empresas que desejam se enxergar em relação à jornada ESG. Na governança, ela destaca sobre a necessidade de canais seguros para tratamento de denúncias e irregularidades. E também sobre a transparência e existência de código de conduta nas organizações. “Investimentos na área de governança incluem a existência de documentos que orientem sobre comportamento e conflitos de interesse numa organização, por exemplo. Outro ponto é a empresa saber que precisa acompanhar exigências legais como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)”, destaca.
ESG para negócios de todos os tamanhos
O tamanho da empresa influencia os recursos disponíveis e a complexidade das ações, mas pequenos negócios também podem trabalhar essas dimensões. Em conteúdo publicado pela Agência Sebrae de Notícias, a analista de Competitividade Adriana Menegaz destaca que há ações ao alcance dessas empresas com efeitos sobre colaboradores, clientes e sociedade.
Como exercício inicial, o responsável pelo negócio pode reunir a equipe e responder a três perguntas: onde estamos desperdiçando recursos? Quais dificuldades afetam as pessoas com quem trabalhamos? Quais decisões precisam de regras mais claras?
As respostas oferecem um ponto de partida para conhecer a realidade da empresa. Uma prática isolada precisa ser examinada dentro desse conjunto: separar resíduos, por exemplo, é uma iniciativa ambiental, mas ainda será necessário olhar para as condições de trabalho e a forma de gestão.
