O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu urgência na proteção da biodiversidade em mensagem divulgada pela ONU nesta sexta-feira, 16, no contexto da COP17, na Armênia. O apelo chama a atenção para a conexão entre a perda da natureza, as mudanças climáticas, a insegurança alimentar e os riscos à saúde. Com reuniões previstas de 19 a 30 de outubro, em Yerevan, a conferência realizará a primeira revisão global dos avanços na implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, adotado em 2022.
A dimensão do desafio é expressa por uma estimativa da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES): cerca de 1 milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção, muitas delas nas próximas décadas, caso não sejam reduzidas as pressões sobre a natureza. Publicada em 2019, a avaliação identifica cinco fatores principais dessa perda: mudanças no uso da terra e do mar, exploração direta de organismos, mudanças climáticas, poluição e espécies exóticas invasoras. O alerta diz respeito também às condições que sustentam a vida humana, como a produção de alimentos e a disponibilidade de água.
O compromisso internacional para enfrentar esse cenário reúne 23 metas para 2030. A COP17 deverá avaliar como os países estão transformando esses objetivos em ações. Segundo a Convenção sobre Diversidade Biológica, o relatório preparado para subsidiar essa revisão reúne informações de 129 relatórios nacionais, mais de 160 conjuntos de metas nacionais e mais de 80 estratégias e planos de ação atualizados. A análise servirá de base para discutir os avanços, as lacunas de implementação e as medidas necessárias para acelerar os resultados.
Para as empresas, a biodiversidade também integra a agenda ESG. A meta 15 do marco global orienta os países a adotar medidas que estimulem a avaliação e a divulgação dos riscos, das dependências e dos impactos dos negócios sobre a natureza, com atenção especial às grandes empresas, multinacionais e instituições financeiras. Isso inclui operações, cadeias de fornecimento e carteiras de investimento. Na prática, a diretriz aproxima a conservação das decisões de gestão: conhecer a origem das matérias-primas, identificar impactos e acompanhar resultados são caminhos para transformar compromissos ambientais em ações verificáveis.
