Incentivar o desenvolvimento de startups para manter a Floresta Amazônica de pé virou o ponto alvo do trabalho de um grupo do estado de Santa Catarina por meio do “Jornada Amazônia” – vista como uma aceleradora destes negócios. Marcos Da-Ré é o diretor-executivo da aceleradora e explica que a ideia é apostar no empreendedorismo na região Norte, capaz de fazer a ponte entre as cadeias extrativistas tradicionais da Amazônia e as grandes indústrias de alimentos e bebidas interessadas nas riquezas locais.
Por trás da Jornada Amazônia está a Fundação Certi, que é uma organização do terceiro setor surgida em 1984, conduzida por professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com a missão de colocar em prática a ciência produzida nos laboratórios da instituição.
De lá para cá, a Fundação Certi expandiu seu campo e é considerada uma das responsáveis por transformar Florianópolis, capital do estado, num pólo de tecnologia. Atualmente, a cidade tem sete startups para 1.000 habitantes. É, inclusive, a maior densidade entre as capitais brasileiras, segundo um estudo recente do fDI Intelligence, braço de análise de dados do jornal britânico Financial Times. “Tomadas as devidas proporções, a Jornada Amazônia quer manter a floresta de pé repetindo o que deu certo no ecossistema de startups de Florianópolis”, explica Da-Ré.
Com foco na Amazônia, a Jornada já captou 50 milhões de reais junto a grandes empresas como a mineradora Vale e os bancos Bradesco, Itaú e Santander.
Os recursos estão sendo empregados em cursos, presenciais e online, para a formação de empreendedores nos sete estados da região Norte, bem como na concessão de capital semente para quem tem uma boa ideia de negócio poder colocar o sonho em prática. Mais de 5.300 interessados já participaram dos cursos, desde 2021. Nestes encontros surgiram 662 ideias de soluções inovadoras, das quais 71 foram selecionadas para receber um apoio financeiro de até R$ 70.000 para virarem negócios.
Em três anos, a Jornada Amazônia distribuiu R$ 4,9 milhões em recursos não-reembolsáveis para esses projetos, todos com impacto nos estados da Amazônia Legal.
E até o fim de 2025, quando Belém deverá sediar a COP-30, a maior conferência global para agenda climática, a meta dos organizadores da Fundação Certi é formar ao menos 200 startups dentro da Jornada Amazônia, além de investir em 30 delas. Ao total, a meta é mobilizar mais de 20.000 pessoas na Amazônia.
Vale informar que o envolvimento da Fundação Certi com a Amazônia não é de hoje: remonta aos anos 90, quando os professores do Instituto foram convidados pela ABDI, agência do governo federal para desenvolvimento industrial, para reduzir a dependência de insumos importados entre as empresas da Zona Franca de Manaus.
“Buscamos despertar o talento para inovação e empreendedorismo e estimular o desenvolvimento de soluções com impacto positivo na floresta”, diz Da-Ré.
“Nosso objetivo é incentivar o surgimento de empreendimentos inovadores que valorizem as oportunidades locais e gerem valor a partir do uso sustentável da biodiversidade e dos recursos naturais”, completou.
