Empresas por todo o Brasil estão desenhando e aplicando projetos com a intenção de levar desenvolvimento econômico e social às cidades e comunidade onde estão sediadas ou inseridas. Há iniciativas voltadas para os três pilares do ESG, especialmente com ações de capacitação profissional, sustentabilidade ambiental e a oferta de serviços de saúde.
Para especialistas e executivos à frente dos programas, o engajamento com as comunidades deve levar em conta as necessidades da população, características regionais e metas corporativas alinhadas à cartilha ESG (de práticas nas áreas ambiental, social e de governança, na sigla em inglês), englobando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS).
Mutirões para a limpeza de margens de rios, qualificação e ações de estímulo ao empreendedorismo para jovens, mulheres e mulheres trans, além do aproveitamento sustentável da mão de obra ribeirinha, no caso do Amazonas, são algumas das atividades em curso.
“A atuação das empresas precisa se adaptar às particularidades de cada região, com iniciativas que atendam as comunidades locais”, diz Marina Grossi, à frente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Há novas oportunidades para projetos que aliam benefícios econômicos, ambientais e sociais em áreas como bioeconomia e soluções baseadas na natureza.
Exemplo de ações pelo país
Na Bayer, por exemplo, são mais de 50 projetos nos municípios onde o grupo atua, em cinco estados (MT, MG, SP, BA e RJ). Um dos mais amplos é o Proverde, de 2009, voltado para proteção ambiental, engajamento comunitário e oferta de serviços de saúde como a equoterapia, diz Ana Isabel dos Santos, head de Engajamento com Comunidades e Comunicação de Product Supply da Bayer Crop Science Latam.
Segundo ela, o projeto engloba comunidades de cinco cidades mineiras, como Cachoeira Dourada, com 2,3 mil moradores e sede de uma unidade da fabricante que emprega 325 pessoas. No último ano, impactou mais de 12 mil pessoas, com um investimento de R$ 80 mil.
Na Vivo, conta Renato Gasparetto, vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da operadora, projetos ligados à educação pública conduzidos pela Fundação Telefônica Vivo apoiam estudantes e professores em várias regiões. A instituição está presente em 108 municípios de 15 estados, diz. Em 2023, 89,6 mil professores foram diplomados em cursos de formação continuada, impactando 3,3 milhões de estudantes.
Na visão de Edmond Aziz Baruque Filho, diretor-presidente da Tobasa, bioindústria de babaçu em Tocantinópolis (TO), gerar emprego para quem vive no entorno das empresas deve ser prioridade.
“Empregamos mais de 200 funcionários e geramos, indiretamente, renda e trabalho para mais de 1,5 mil agroextrativistas” conta, acrescentando que o grupo investe R$ 10 milhões ao ano na região, com a compra do coco de babaçu, incentivando a conservação da floresta em pé.
No Amazonas, empresas do Polo Industrial de Manaus estão incentivando comunidades rurais da cidade e municípios próximos pagando valores justos por suas produções e incentivando a qualificação. Os processos fazem parte do olhar ESG no qual as empresas estão se inserindo.
De forma mais ampla, o projeto mais concreto e consolidado, antes mesmo da sigla ESG tornar-se difundida, é o patrocínio integral à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que reflete um investimento significativo na educação e no desenvolvimento profissional dos trabalhadores e da comunidade local. Tanto que a UEA é hoje a maior instituição acadêmica multicampi do Brasil, estando presente em todos os municípios do Estado.
*Com informações do Valor Econômico
