No terceiro e último dia do FIINSA – Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia – discussões sobre o relacionamento entre grandes empresas e produtores da floresta, o mercado de carbono hoje e o empreendedorismo feminino estiveram na pauta dos painéis do evento. O FIINSA reuniu e engajou centenas de pessoas, gerou oportunidades e investimentos.
A importância de uma conexão benéfica entre comunidades da floresta e empresas que fazem uso em seus negócios de insumos amazônicos foi um dos temas de destaque na feira de investimentos, nesta quinta-feira, dia 24, quando Manaus comemora seus 355 anos.
O presidente do Memorial Chico Mendes, Adevaldo Dias, destacou a necessidade de um olhar diferenciado para as questões financeiras relacionadas aos produtores da região e reforçou ainda a importância de empresas e marcas não abandonarem as comunidades após uma única safra. “O produtor se planeja e trabalha com a sazonalidade da nossa região, se prepara para a seca e cheia”, comentou Dias.
E foi justamente em razão dessas especificidades da região amazônica que Carolina Domênico, da Natura, contou que a marca passou quase 20 anos para, de fato, entender a dinâmica de trabalho com os povos da floresta, o que hoje garante parceria de sucesso. “Foi uma construção de 20 anos, com diferentes atores. Hoje, atuamos com 44 organizações na Amazônia, exercendo inclusive uma política financeira de adiantamento para esse produtor, por entendermos a importância para o processo”, destacou. “Outro ponto é que fazemos a pesquisa dos ativos e vemos a capacidade de estoque. Tem a capacidade de estoque e da floresta. Tudo isso faz parte de uma relação respeitosa, acrescentou Carolina.
No painel “Mercado de carbono: desafios e oportunidades para promover a sociobioeconomia na Amazônia”, Plínio Ribeiro, head of carbon solutions na Ambipar Environment destacou a longa caminhada com o carbono na região amazônica. “Os investimentos são altos para fazer projetos de carbono. E o tempo de mercado não conversa com o tempo dos territórios”, frisou.
Perspectiva feminina
A discussão sobre formas de ampliar a atuação de mulheres como investidoras da Amazônia ou como empreendedoras impactou a sala Iara, no Studio 5. No encontro, mulheres que já têm negócios hoje consolidados contaram a escalada para fazer seus empreendimentos prosperarem e as perspectivas de torná-los ainda maiores no futuro.
Neurilene Kambeba, por exemplo, proprietária do restaurante Sumimi, contou a jornada em sua comunidade, os desafios enfrentados no dia a dia inclusive para o deslocamento a Manaus e todo o processo de construção de seu negócio.
Luciana Minev, da Singulari Consultoria, destacou os projetos realizados exclusivamente com mulheres e enfatizou a importância de mais mulheres se darem as mãos. “Nós, antes de tudo, como empreendedoras, tínhamos que priorizar, por exemplo, a contratação de mulheres em nossos negócios”, disse.
O FIINSA foi realizado ao longo de três dias com a perspectiva de ampliar o espaço de negócios na região e o investimento em produtores locais dentro do ecossistema amazônico. Com a premissa “onde fazer fala mais alto”, o evento reuniu 800 pessoas em discussões, rodadas de pitching e experiências sensoriais. Além dos painéis, uma feira com produtos locais expôs o trabalho de produtores da região.
“Nos painéis estavam pessoas que já estão fazendo a Amazônia, que já estão com a mão na massa, que pensam nas soluções”, explicou Marcus Bessa, co-fundador do Impact Hub Manaus, um dos realizadores do evento.
Também na coordenação do evento, o diretor de novos negócios do Idesam, Mariano Cenamo, disse que o público do FIINSA foi três vezes maior do que em sua primeira edição. “Foram 24 conexões entre investidores e empreendedores. Tivemos ainda 17 negócios que vão levantar nos próximos dias mais de R$ 1,7 milhão”, destacou Cenamo ao final do evento.
