“Eu acredito que as soluções que o mundo busca estão aqui. E a agenda ambiental tem que ser menos europeia e mais tropical”, “os financiadores têm que ter escritório na Amazônia, sem burocracia”. As frases são do secretário de estado de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira e foram ditas por ele nesta quarta-feira, 23, no 3º Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia (FIINSA), realizado no Studio 5 Centro de Convenções, no Japiim, zona Sul.
Além de Taveira, participaram do painel “A Amazônia no centro do mundo: porque o Brasil não pode perder essa oportunidade”, Amir Suruí, presidente do território Suruí e liderança em desenvolvimento sustentável; Ellen Aciolli, especialista do Banco de Desenvolvimento da Amazônia; Rebecca Garcia, diretora de Planejamento Estratégico da empresa GBR Componentes e Roberto Waack, do Instituto Arapyau.
Ao destacar a urgente necessidade de apoio à região e seus empreendedores, Taveira destacou o quanto o Brasil está distante da Amazônia e explicou também sobre as dificuldades dos próprios governos atuarem. “Não dá para desprezar a dimensão da Amazônia. Não é só uma dimensão geográfica, é histórica e cultural, que nenhuma política pública desenhada conversa com a totalidade da Amazônia. Temos a Amazônia urbana, onde mais da metade da população vive, a Amazônia quilombola, a tradicional, a do pequeno produtor. Nem o governo federal está desenhado para atender o Brasil em suas dimensões”, disse Taveira, destacando que em razão de todos estes aspectos, hoje o poder público como um todo é mais retaguarda que vanguarda.
No debate, o líder indígena suruí destacou a importância do fortalecimento da aliança pela Amazônia para a busca de investimentos.
Em outro painel de destaque do dia “Economia da floresta em pé – da teoria para a prática: como transformar planos em realidade”, Vanda Witoto, diretora executiva do Instituto Witoto, reforçou sobre a necessidade de parcerias reais na Amazônia. “Precisamos de parcerias que nos ajudem e estejam realmente juntas de nós”, disse, destacando as peculiaridades de Manaus no cenário nacional: como cidade com a maior presença de povos indígenas e por ser uma localidade com ancestrais.
O legado da UEA
Dentro do olhar à economia da floresta, Virgílio Viana destacou a necessidade de valorização e incorporação de iniciativas vinculadas à Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em prol da Amazônia. “A UEA tem 62 campos e projetos maravilhosos. Temos que estimular essas pequenas iniciativas. Vamos usar este momento privilegiado onde o mundo olha para a Amazônia”, destacou Viana.
Dentro do campo de oportunidades, Denis Minev, CEO da Bemol, apresentou parte dos projetos que o grupo desenvolve para fomentar oportunidades, como o programa de empregabilidade para jovens indígenas.
Logística e acesso
A distância e dificuldades logísticas no território amazonense também estiveram em pauta neste dia 23. Entre os participantes deste painel estavam o prefeito Jair Souto, de Manaquiri, município a 164 quilômetros de Manaus; Laura Motta, gerente de Sustentabilidade do Mercado Livre; Michele Guimarães, CGO da Navegam, e Anne Mello, empreendedora da Taberna a Amazônia. Juntos, eles pontuaram problemas relacionados à falta de infraestrutura dos municípios e pontuaram como inspiração soluções, propostas já executadas e de sucesso na região.
Laura, do Mercado Livre, pontuou que a empresa possui duas aeronaves específicas para atender a demanda de Manaus e Belém na região, destacando que esta foi uma solução encontrada pela organização para que fossem mantidos prazos de entrega de produtos em 48 horas na região, sem prejuízos aos consumidores.
Michele, da Navegam, pontuou situações adversas como a seca para explicar as estratégias que sua empresa teve que buscar para executar suas atividades comerciais na região.
Apesar de todas as condições logísticas que envolvem o interior do estado, o prefeito de Manaquiri ressaltou a vontade de ver o interior se desenvolver. “Eu não posso quantificar a riqueza do interior, mas eu consigo quantificar a pobreza no interior. Que Manaus continue a prosperar, mas que o interior também possa se desenvolver. Eu ainda vou ver o interior salvando a economia da Amazônia”, disse Jair.
O FIINSA teve início ontem, dia 22, e reúne até amanhã, dia 24, mais de 100 painelistas em palestras e debates. O foco são soluções inovadoras e sustentáveis para a região.
