A agenda ESG chega oficialmente ao futebol brasileiro com a criação do Índice Brasileiro de Sustentabilidade no Futebol (IBSF), iniciativa que avaliará o nível de maturidade das práticas ambientais, sociais e de governança dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Desenvolvido pelo Movimento Sustentabilidade em Campo, com apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o índice pretende criar um diagnóstico inédito sobre como os clubes incorporam princípios de sustentabilidade, transparência e governança em sua gestão. O lançamento dos primeiros resultados está previsto para o início de 2027.
A iniciativa acompanha a crescente profissionalização do futebol brasileiro, impulsionada pelo avanço das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), pela maior participação de investidores e pelas exigências de patrocinadores e do mercado por práticas alinhadas aos princípios ESG.
Segundo Marcelo Linguitte, presidente do Movimento Sustentabilidade em Campo, o índice nasce para oferecer um parâmetro capaz de medir a evolução dos clubes e estimular uma cultura de transparência e melhoria contínua.
Como será a avaliação
O IBSF será composto por 86 indicadores, atualmente em fase de validação. Os clubes responderão a um questionário e deverão apresentar documentos que comprovem as informações fornecidas. Os resultados passarão por auditoria técnica e a expectativa é que a avaliação seja realizada anualmente. Os critérios serão distribuídos nos três pilares do ESG.
No eixo ambiental, serão avaliadas iniciativas relacionadas à gestão de resíduos, eficiência energética, emissões de gases de efeito estufa e educação ambiental.
Na dimensão social, o índice analisará projetos de inclusão, diversidade, combate ao racismo, relacionamento com as comunidades e outras ações de impacto social desenvolvidas pelos clubes.
Já o pilar governança contemplará aspectos como transparência na gestão, participação de mulheres em conselhos, código de ética, mecanismos anticorrupção e políticas de integridade. Também será analisada a relação dos clubes com as empresas de apostas esportivas, considerando o peso desses patrocínios e a existência de controles para prevenir riscos e irregularidades.
Oportunidade para fortalecer a gestão
A expectativa dos organizadores é que o pilar social apresente maior maturidade, já que muitos clubes desenvolvem projetos comunitários e campanhas de combate à discriminação. Por outro lado, temas como governança, transparência e gestão ambiental ainda representam desafios para boa parte das organizações esportivas.
Mais do que estabelecer um ranking, o IBSF pretende incentivar a evolução contínua dos clubes e consolidar indicadores que fortaleçam a credibilidade do futebol brasileiro diante de torcedores, patrocinadores, investidores e da sociedade.
À medida que a sustentabilidade passa a integrar as estratégias das organizações, o esporte também amplia seu papel como agente de transformação social, demonstrando que desempenho esportivo e gestão responsável podem caminhar juntos.
Com informações do Estadão e adaptação da Redação Rede ESG.
