A indústria calçadista brasileira vem consolidando a sustentabilidade como um dos principais diferenciais competitivos do setor. Dados do Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), revelam avanços significativos na adoção de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), fortalecendo a posição do país entre os maiores produtores mundiais de calçados.
Um dos destaques do levantamento é que 45% da produção nacional já possui certificação pelo programa Origem Sustentável, iniciativa que incentiva a adoção de boas práticas em toda a cadeia produtiva. O relatório também aponta evolução em indicadores relacionados à gestão ambiental, diversidade, governança corporativa e relacionamento com fornecedores.
Segundo o gerente de Marketing e Estratégia da Abicalçados, Cristian Schlindwein, os resultados refletem um processo contínuo de transformação da indústria. “A indústria calçadista brasileira é a mais sustentável do mundo”, afirma.
Indicadores ambientais avançam
Na dimensão ambiental, o estudo mostra que 93% das empresas participantes destinam corretamente seus resíduos sólidos industriais, priorizando reutilização, reciclagem, coprocessamento e outras formas ambientalmente adequadas de tratamento.
Outro indicador de destaque é o uso de energia limpa. Atualmente, 82% das empresas utilizam exclusivamente energia elétrica proveniente de fontes renováveis, resultado que demonstra a crescente incorporação de práticas voltadas à redução dos impactos ambientais da produção.
O relatório também evidencia vantagens estruturais do Brasil, como uma matriz elétrica composta por 77% de fontes renováveis e emissões médias de 2,3 toneladas de CO₂ per capita, fatores que contribuem para aumentar a competitividade do setor nos mercados nacional e internacional.
Cadeia produtiva incorpora critérios ESG
A sustentabilidade também tem avançado entre fornecedores e parceiros comerciais. Segundo o levantamento, 74% das empresas realizam avaliações periódicas para verificar a conformidade legal, ambiental e social de seus fornecedores, enquanto 70% adotam programas de controle de substâncias restritas nas matérias-primas, atendendo às exigências de mercados internacionais, como a regulamentação europeia REACH.
No pilar social, 75% das empresas desenvolveram ações voltadas à diversidade e à inclusão em 2025, incluindo processos seletivos inclusivos, treinamentos e políticas de valorização da equidade no ambiente de trabalho.
Já na governança, 82% das empresas informaram adotar práticas estruturadas, como auditorias internas e externas, códigos de ética e transparência na divulgação de informações financeiras e de sustentabilidade.
Certificação impulsiona a transformação do setor
De acordo com a Abicalçados, a evolução dos indicadores está diretamente relacionada ao Origem Sustentável, programa desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal).
Criado em 2013, o programa reúne 104 indicadores distribuídos em cinco dimensões e orienta empresas de diferentes portes na implementação de práticas ESG, promovendo a melhoria contínua da gestão e da competitividade da indústria.
Mais do que um selo de certificação, o Origem Sustentável tornou-se uma ferramenta estratégica para fortalecer a inovação, a transparência e a responsabilidade socioambiental ao longo de toda a cadeia produtiva.
Em um cenário de consumidores, investidores e mercados cada vez mais atentos aos critérios de sustentabilidade, os resultados do relatório demonstram que a agenda ESG já faz parte da estratégia de crescimento e internacionalização da indústria calçadista brasileira.
Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Adaptação da Redação Rede ESG.
